Flávio Bolsonaro chega aos EUA e governo Trump diz que dará visto a senador e família
Fontes confirmaram à BBC que o senador deixou o Brasil e está em solo americano; ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia ordenado que o senador entregasse seus passaportes e proibido que ele saísse do Brasil; acompanhe também a reação dos mercados após vitória de Lula para um quarto mandato e todas as notícias desta terça-feira.
Por Marina Rossi, Leandro Prazeres, Vinicius Mendes, Thais Carrança, Mariana Schreiber, Rute Pina, Mariana Alvim e Julia Braun, da BBC News Brasil em São Paulo, Brasília e Londres.
Por hoje é só
Pessoal, estamos encerrando nossa cobertura em tempo real desta terça-feira — que começou com dúvidas sobre o paradeiro do senador Flávio Bolsonaro (PL) e terminou com a confirmação de que ele viajou para os Estados Unidos. Continue acompanhando nossa cobertura no site e nas redes sociais. Obrigada pela companhia!
Com Flávio nos EUA, relação entre Trump e Lula pode azedar mais?
Crédito, Ricardo Stuckert
A relação com os Estados Unidos será um dos principais desafios do quarto mandato de Lula, segundo uma fonte do governo brasileiro ouvida pela BBC News Brasil.
Agora, há um novo elemento nesta relação: a chegada de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula nas urnas, à Flórida.
O correspondente em Brasília Leandro Prazeres analisa, nessa reportagem, como pode ficar a relação Trump-Lula após a chegada do senador do PL aos EUA.
Urgente, Flávio Bolsonaro chega aos EUA
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos, especificamente ao estado da Flórida, segundo informaram fontes à BBC.
Ele já se encontrou com o irmão Eduardo Bolsonaro, que mora nos EUA.
Ainda não se sabe os detalhes do trajeto feito por Flávio para sair do Brasil e nem se ele planeja morar definitivamente nos EUA.
Primo de Flávio afirma que senador chegou aos EUA
De acordo com Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como "Léo Índio", Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos. Sobrinho do ex-presidente Jair Bolsonaro e, portanto, primo de Flávio, Leonardo confirmou a informação ao repórter da BBC News Brasil Vinicius Mendes
Léo Índio vive na cidade argentina de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil, desde março de 2025 — quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a prisão dele por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Mais cedo, Leonardo publicou no Instagram que o "Brasil não é seguro para pessoas boas", ao lado de um post com a notícia da partida de Flávio do país.
Ainda não se sabe como Flávio teria deixado o território nacional, mas a imprensa argentina aponta que ele pode ter viajado, justamente, por Puerto Iguazú, onde um avião da companhia aérea Baires Fly o aguardava para viajar aos EUA.
Léo Índio disse à reportagem que os detalhes da viagem não foram compartilhados "para garantir a segurança de Flávio e da família dele".
Green Card, asilo político... Quais são as opções para Flávio ficar nos EUA?
Crédito, Getty Images
Fontes da BBC confirmaram que Flávio Bolsonaro chegou aos EUA. E um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado americano disse ao jornalista Tom Bateman, da BBC, que o órgão "concederá vistos a Flávio Bolsonaro e a seus familiares e permitirá entrada deles no país".
Quais são as alternativas para que o senador fique no país — juntando-se ao seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e bolsonaristas que lá vivem como Alexandre Ramagem, Allan dos Santos e Paulo Figueiredo?
Pedido de asilo, vistos de não imigrante e o Green Card seriam cartas na mesa. Entenda nessa reportagem.
Quem estava ao lado de Flávio Bolsonaro no discurso da derrota
Imprensa internacional noticia sobre possível viagem de Flávio Bolsonaro
Crédito, Reprodução
Legenda da foto, O jornal The New York Times ouviu fontes que disseram que Flávio teria ido aos EUA
Alguns dos principais veículos da imprensa internacional estão noticiando em seus sites a informação de que o paradeiro de Flávio Bolsonaro é desconhecido e que, segundo fontes, ele teria ido para os Estados Unidos.
O jornal americano New York Times (NYT) ouviu três fontes do governo americano que confirmaram que Flávio teria ido para os EUA.
A reportagem sobre o paradeiro do senador brasileiro ganhou destaque importante no site do NYT, abaixo da manchete, assim como a matéria do jornal britânico The Guardian sobre a situação. O texto do The Guardian atribui a informação da "fuga" à imprensa brasileira.
O jornal argentino Clarín destaca notícias sobre Flávio Bolsonaro na manchete e em duas submanchetes. A manchete leva à cobertura em tempo real sobre o paradeiro de Flávio.
A agência de notícias Reuters também deu importante destaque à notícia em sua página, como submanchete, informando no título que o Departamento de Estado dos EUA planeja conceder vistos a Flávio e à sua família.
Crédito, Reprodução
Legenda da foto, Clarín está fazendo cobertura em tempo real sobre paradeiro do senador brasileiro
Crédito, Reprodução
Legenda da foto, The Guardian deu destaque importante em seu portal à notícia sobre Flávio
Crédito, Reprodução
Legenda da foto, Reuters destacou que Flávio e sua família devem receber vistos dos EUA
Sem provas, Trump volta a insinuar fraude em eleição no Brasil: 'Não tomei partido, mas não pareceu bom'
Crédito, Reuters
Nesta terça-feira (27/10), Trump voltou a questionar as eleições brasileiras.
Sem apresentar provas, ele afirmou:
"Eles [os democratas] são, acho, os maiores fraudadores de eleições da história. Embora o Brasil também esteja fazendo um bom trabalho nisso, não é? Você viu aquilo? Eu não tomei partido, mas não pareceu muito bom", declarou.
A missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), entidade que reúne 35 países do continente, entre eles Brasil e Estados Unidos, e que há décadas envia observadores a eleições na região, foi a maior e a mais abrangente entre as que acompanharam o segundo turno.
Chefiada por José Miguel Insulza, ex-secretário-geral da entidade e ex-chanceler do Chile, a equipe teve 88 observadores de 22 nacionalidades no segundo turno e 179 no conjunto das eleições gerais, o que, segundo o relatório, a torna "a maior missão de observação eleitoral internacional já realizada no Brasil".
Lula: 'O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa'
Crédito, Reprodução/YouTube
Durante comemoração em Brasília por seu aniversário de 81 anos, o presidente Lula criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por sua possível saída do Brasil rumo aos Estados Unidos nesta terça-feira
"Estou sabendo agora que meu adversário foi embora, eu não sei... Veja, eu perdi eleição para o Collor, eu fiquei no Brasil. Eu perdi a eleição para o Fernando Henrique Cardoso duas vezes e eu fiquei no Brasil. O Alckmin perdeu para mim, ficou no Brasil. O Serra perdeu para mim, ficou no Brasil", disse Lula.
"Eu tive muitos convites para sair do Brasil. Eu tive muitos convites para ir para embaixada. Eu resolvi ficar aqui no Brasil e resolvi me entregar na Polícia Federal, porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência", prosseguiu.
Por isso eu queria dizer para vocês: quem não deve não teme, o cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa."
Lula afirmou que sua decisão de permanecer no Brasil após suas derrotas eleitorais foi um "respeito à democracia".
"Eu lamento que ele [Flávio] tenha saído do Brasil, porque ele poderia ficar e provar que as acusações contra ele que estão na imprensa não são verdadeiras", disse o presidente, referindo-se em seguida à proposta de quebra de sigilo feita a Flávio durante a campanha.
"Eu tentei fazer com que ele provasse que é honesto entregando minha papelada na Justiça eleitoral, da minha mulher e dos meus filhos. Ele não entregou, numa demonstração de que esse cidadão, que foi a pessoa mais mentirosa que já vi no planeta Terra, não tem nenhum compromisso com a verdade. É impressionante as desfaçatez dele", disse Lula.
"Esse ato [de sair do Brasil] é vergonhoso. Quando pediram para entregar meu passaporte, eu entreguei. Ele deveria ter entregue", continuou.
"Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira pátria é lamber bota dos Estados Unidos, como eles estão acostumados a fazer."
Marinho diz que não foi comunicado sobre saída de Flávio do país
O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, afirmou nesta tarde que foi surpreendido pela notícia de que o senador teria saído do Brasil e disse desconhecer seu paradeiro.
Segundo Marinho, Flávio enviou uma mensagem de texto por volta das 8h dizendo que tiraria o dia para descansar e que os dois conversariam mais tarde. Desde então, não houve novas informações sobre o senador.
“Não fomos comunicados”, afirmou Marinho, em entrevista coletiva.
Governo Trump diz que dará visto a Flávio Bolsonaro e permitirá entrada dele e família nos EUA
Um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado dos Estados Unidos disse ao jornalista Tom Bateman, da BBC, que o órgão "concederá vistos a Flávio Bolsonaro e a seus familiares e permitirá entrada deles no país".
STF arquiva investigações contra Eduardo Bolsonaro, Silas Malafaia e Guilherme Fiuza
Crédito, Reuters
Legenda da foto, Eduardo Bolsonaro foi condenado em junho por coação no curso do processo
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu arquivar algumas investigações envolvendo o pastor Silas Malafaia, o escritor Guilherme Fiuza e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio Bolsonaro.
Já o arquivamento do inquérito contra Malafaia ocorreu após pedido da própria Procuradoria-Geral da República (PGR), autora da acusação. Para a PGR, não foram reunidos elementos suficientes para indicar o envolvimento de Malafaia no crime de coação no curso do processo.
Em relação a Fiuza, a PGR também considerou não haver indícios suficientes para investigá-lo por suposta prática do crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Foi extinta ainda a punibilidade de Fiuza pela acusação de incitação ao crime, já que o prazo para a punição já passou. Com a decisão do STF, algumas medidas cautelares contra o escritor foram retiradas, como restrições de deslocamento.
As investigações arquivadas estão relacionadas ao chamado Inquérito das Fake News, cuja abrangência e duração sob a relatoria de Alexandre de Moraes foi amplamente criticada por especialistas. Fachin decidiu em setembro retirar a relatoria de Morais, trazendo para si essa função.
Em paralelo à busca por Flávio, Valdemar Costa Neto e Michelle Bolsonaro postam fotos juntos
Crédito, Reprodução/Instagram
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, postou há pouco uma foto ao lado da senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF), esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro e madrasta de Flávio Bolsonaro, ambos também do PL.
"Recebi hoje a senadora eleita Michelle Bolsonaro para uma conversa sobre o futuro do nosso partido e os desafios que temos pela frente. Seguimos unidos, com diálogo, responsabilidade e compromisso com o Brasil", escreveu Costa Neto.
Renan Santos critica possível ida de Flávio aos EUA: 'Não é a postura de líder'
Crédito, EPA
O ex-candidato à presidência Renan Santos (Missão) divulgou uma nota agora há pouco em que critica a postura de Flávio Bolsonaro de supostamente fugir para o exterior.
"Flávio
é alvo de uma disputa política. A briga no STF e as investigações vão todas
seguir critérios políticos. O Brasil está uma várzea. Entretanto, esta não é a
postura de um líder", disse Renan Santos, derrotado na disputa presidencial no primeiro turno.
"Fuja
se você for fraco. Encare o problema se for homem, e pague pelas consequências,
mesmo quando inocente. Liderar, querer mudar o teu país, é um fardo muito
grande. Homens que estão dispostos a puxar cana, mesmo quando injusto, por
aquilo em que acreditam, são homens que colocam o nome deles na história".
Para Santos, se confirmada a ida do senador aos EUA, este vai continuar atuando politicamente, mas com uma postura de "exilado" no exterior.
"Vai ter muita gente achando bonito, vamos
dizer que ele é um herói no exílio, e na prática ele vai continuar manipulando
a política do Brasil direto dos Estados Unidos. Triste destino para quem achava
que esse cara seria um herói", concluiu.
Defesa de Flávio diz estar 'no escuro' sobre possível saída do senador do Brasil
A defesa da campanha de Flávio Bolsonaro disse à BBC News Brasil que está “completamente no escuro” sobre a possível saída do senador do Brasil.
Procurada pela reportagem nesta tarde, a defesa afirmou que não tinha conhecimento do que havia acontecido e que continuava sem informações sobre o caso.
O coordenador Rogério Marinho deve se pronunciar assim que houver mais informações.
BBC News faz cobertura em tempo real sobre paradeiro de Flávio
O site em inglês da BBC News também está fazendo cobertura em tempo real sobre a situação do senador, afirmando no título que "Autoridades brasileiras buscam paradeiro de Flávio Bolsonaro após ele deixar de entregar passaporte".
A página informa que o STF havia pedido que Flávio entregasse o documento em 24 horas como parte de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro — acusação que ele nega.
"[Flávio] Bolsonaro afirmou que não tinha planos de deixar o país. No entanto, o prazo expirou sem que ele entregasse os documentos, o que gerou especulações de que ele possa ter saído do país", informa a BBC News.
Pesquisas erraram o resultado da eleição?
Crédito, Getty Images
Redução da abstenção, mudanças da cabeça do eleitor à véspera da eleição, sociedade polarizada...
Esses são alguns dos fatores que ajudam a explicar por que o resultado do segundo turno da eleição presidencial foi significativamente diferente do que as pesquisas de intenção de voto mostravam, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
Para eles, não é correto dizer que as pesquisas erraram. Entenda aqui.
Vice de Flávio diz que reza pela seguranca da família do senador e fala em 'perseguição implacável'
Crédito, Reprodução/X
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que foi candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, publicou no X uma mensagem de solidariedade ao senador.
“Diante da perseguição implacável sofrida pelo presidente Flávio Bolsonaro, presto minha solidariedade a ele, a Fernanda e às suas duas filhas, rogando a Deus pela segurança e pelo bem-estar dessa família amada”, escreveu Gaspar, sem mencionar, contudo, a possível saída da família do Brasil.
Minutos antes, o deputado havia publicado um vídeo em que agradeceu os quase 60 milhões de votos recebidos pela chapa e afirmou que “algumas derrotas são verdadeiras vitórias”.
Gaspar também disse que, a seu ver, o sistema mudou as regras da eleição no segundo turno, mas que eles permaneceram firmes. Ele agradeceu a Flávio pelo convite para ser candidato a vice e afirmou que a derrota não foi em vão.
“Nossa trincheira de luta está pronta. Agora vamos adiante, lutar para classificar PCC e CV como terroristas, lutar pela proibição das drogas”, disse, ao defender a continuidade das bandeiras da campanha no Congresso.
“Permanecemos firmes ao que acreditamos e, num futuro próximo, o Brasil vai vencer”, concluiu.
Eventual ida de Flávio aos EUA pode atrapalhar a retomada das relações do Brasil com o país?, Por Leandro Prazeres, em Brasília
O governo brasileiro avalia que uma eventual ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos não deve, por si só, impedir a retomada de uma relação pragmática com o governo norte-americano, disse um integrante do governo à BBC News Brasil, em caráter reservado.
Segundo ele, o governo acompanhará os passos do senador caso ele tenha viajado mesmo para fora do país e, caso haja pedidos de prisão contra ele, poderá ser pedida a extradição do parlamentar.
Na avaliação deste integrante do governo, uma suposta ida de Flávio para o exterior não seria um empecilho para uma tentativa de normalização das relações entre os dois países, abalada pela imposição de tarifas norte-americanas contra produtos brasileiros.
TSE confirma número de votos registrados após as 17h
Foram 34.393 votos em todo o país, menos de 0,03% dos votos totais.
A prorrogação do horário de votação foi inicialmente apontada por Flávio Bolsonaro como um motivo pelo qual ele pediria a anulação do segundo turno. Mas, depois, ele mudou de estratégia e anunciou que focaria no pedido de cassação da chapa de Lula por abuso de poder econômico.