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Nesta quinta-feira, o presidente dos EUA voltou a falar das eleições brasileiras um dia após Flávio Bolsonaro chegar aos EUA e divulgar carta se dizendo "líder" do Brasil. Vitória de Lula foi amplamente reconhecida pela Justiça e líderes políticos.
Por Marina Rossi, Iara Diniz, Leandro Prazeres, Vinicius Mendes, Thais Carrança, Mariana Schreiber, Rute Pina, Mariana Alvim, Julia Braun, Giulia Granchi e Daniel Gallas, da BBC News Brasil em São Paulo, Brasília e Londres.
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A quinta-feira foi marcada pelos desdobramentos da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e pela repercussão da carta divulgada pelo senador, na qual ele se apresenta como "líder" do Brasil e contesta o resultado da eleição, vencida por Lula. Veja os principais acontecimentos do dia:

Crédito, Getty Images
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, decidiu devolver ao ministro André Mendonça a relatoria da Operação Sem Desconto, que investiga desvios no INSS. Já os procedimentos da Operação Compliance Zero, sobre suspeitas envolvendo o Banco Master, continuarão provisoriamente sob a gestão da Presidência do Supremo.
Os dois casos haviam sido retirados da condução de Mendonça em setembro, em meio a uma crise entre ministros do STF. Na ocasião, Fachin assumiu os procedimentos após receber uma representação de Alexandre de Moraes, que apontava supostas irregularidades na atuação de Mendonça como relator das investigações. Relembre aqui.
A mudança ocorre depois de a Procuradoria-Geral da República não identificar elementos que caracterizem crime de abuso de autoridade por parte de Mendonça. Fachin concluiu que não há indícios concretos de envolvimento de autoridades com foro privilegiado na investigação sobre o INSS e, por isso, determinou a devolução do caso ao ministro.
Já a investigação sobre o Banco Master permanece temporariamente sob a Presidência do STF porque relatórios policiais mencionam uma autoridade sujeita à jurisdição da Corte.
A permanência do caso com a Presidência é excepcional e está limitada a decisões urgentes, como a análise periódica de prisões cautelares. O prazo máximo é de 90 dias, contados a partir de 12 de setembro.
A medida, no entanto, poderá ser reavaliada antes desse período caso:
A decisão será submetida a referendo do Plenário do STF, que também avaliará a proposta de desmembramento definitivo das apurações e a competência para julgar os fatos investigados.
A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília avaliou como "definitiva" e "surpreendente" a vitória do presidente Lula nas eleições, segundo relatório diplomático enviado ao Departamento de Estado americano na segunda-feira (26/10) e obtido pela Folha de S. Paulo.
De acordo com o jornal, o documento afirma que a votação transcorreu de maneira majoritariamente pacífica e destaca que observadores internacionais não manifestaram dúvidas sobre o resultado.
Ainda, segundo o relatório, a ampliação do horário de votação, principal argumento usado por Flávio para contestar a derrota, não teve impacto significativo no resultado, de acordo com o TSE.
O relatório também registra que a Organização dos Estados Americanos (OEA) não tinha “nenhuma dúvida sobre os resultados”, embora tenha apontado falhas na comunicação entre os responsáveis pela organização da votação.
A avaliação da embaixada contrasta com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a classificar a eleição brasileira como uma "vergonha" nesta quinta, sem apresentar provas de irregularidades que comprometam o resultado.
O cenário econômico que espera o presidente Lula em seu quarto mandato é apontado como o "calcanhar de Aquiles" do novo governo.
No dia seguinte à vitória nas urnas, a reação negativa do mercado foi a pior registrada em um pós-eleição desde 2002.
Quedas na bolsa após vitórias de Lula não são novidade. Segundo analistas, a reação desta vez também refletiu uma aposta de investidores na vitória de Flávio Bolsonaro, que não se confirmou.
Além da cobrança por ajuste nas contas públicas, o governo terá que lidar com a insatisfação dos brasileiros com o custo de vida, o endividamento recorde da população e a expectativa de um crescimento menor do PIB em 2027.
Neste vídeo, a repórter Thais Carrança explica o cenário que Lula terá pela frente e o que, na avaliação de economistas, será preciso fazer.

Crédito, Arquivo Pessoal
Mal terminou a eleição, e o cabeleireiro Alex Santos, que declarou voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma rede social, viu sua agenda de trabalho ser impactada por cancelamentos de clientes que disseram a ele não contratar serviços de profissionais que se identificam com o governo reeleito.
"A partir do momento em que decidi falar que eu sou de esquerda, virei o pior cabeleireiro do mundo", afirma Santos.
Ele conta que uma cliente reclamou à dona do salão por ele ser de esquerda e que outra chegou a perguntar se o estabelecimento era de esquerda ou de direita.
Santos, que vive e trabalha em Joinville (SC) é um dos profissionais autônomos e pequenos empresários que relatam ter sido alvo de retaliações de apoiadores de Flávio Bolsonaro após manifestarem apoio a Lula.
O movimento surgiu na última segunda-feira (26/10), principalmente em cidades onde Lula não obteve a maioria dos votos. Em alguns locais, listas de boicotes circulam em grupos de WhatsApp.
A BBC ouviu advogados para enteder se esse tipo de ação pode ser considerado liberdade de expressão ou configura algum tipo de crime.
No discurso de vitória, na noite de domingo (25/10), o presidente Lula chamou de lado o deputado reeleito André Janones (Rede-MG) e agradeceu a atuação dele na campanha. Referiu-se a ele como "nosso general" e destacou seu papel de "levantar todo dia a moral da nossa tropa”.
O deputado, que tem 42 anos, construiu sua audiência na rede social falando de assuntos de impacto imediato na vida dos seguidores.
Ganhou projeção na greve dos caminhoneiros de 2018 e ampliou a presença nas redes com a defesa do auxílio emergencial na pandemia.
Em 2022, depois de retirar sua candidatura presidencial e apoiar Lula, tornou-se um dos personagens da ofensiva digital contra Jair Bolsonaro.
No segundo turno de 2026, administrou um canal no WhatsApp com mais de 10 milhões de seguidores chamado de "Exército de Lula".
A repórter Stephanie Rodrigues explica a trajetória e as estratégias de Janones no vídeo.

Crédito, Gladstone Campos
Presidente do conselho da multinacional brasileira Natura, Fábio Coletti Barbosa disse em entrevista à BBC News Brasil que "o Brasil não quebra" num quarto governo de Lula.
"O país tem hoje as contas externas em ordem, uma inflação sob controle, o Banco Central independente, uma produção de petróleo importante, uma agricultura pujante, energia abundante, uma produção de metais robusta. O presidente Lula tem aberto muitos mercados", declarou.
"Mas o Brasil fica condenado a um crescimento medíocre, em função de juros elevados, de uma necessidade muito grande de financiamento."
Barbosa, que não declarou voto, mas se identifica com o centro político, é crítico da política de aumento de gastos públicos para fomentar a economia. "Se fosse verdade que gastos públicos maiores são bons para mitigar a pobreza, não haveria pobres no Haiti, no Congo e na Índia", disse.

Crédito, TST
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Vieira de Mello Filho, declarou hoje que empresários que praticarem assédio eleitoral e demitirem funcionários por questões políticas sofrerão consequências "graves" e "severas".
A fala veio após publicações feitas por políticos e influenciadores de direita sobre um possível boicote a trabalhadores e profissionais que ajudaram a reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“A resposta para aqueles que cometeram essa ilegalidade será dura, rápida e ágil. Não vamos aceitar que o princípio democrático seja ferido dessa forma com tanta desfaçatez”, disse Mello Filho.
Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), foram registradas 3.290 denúncias de assédio eleitoral durante o período eleitoral em todo o país. Desse total, 1.353 foram contabilizadas desde segunda-feira (26), após o segundo turno, o que representa mais de 40% do número total de denúncias recebidas em 2026.
O ministro Mello Filho disse também que empresários poderão sofrer consequências como restrições de financiamento e até com inclusão em uma nova "lista suja" de empresas que praticam o assédio eleitoral.
"Trabalhadores, não tenham medo. Quem tem que ter medo são os empregadores que violarem a lei", disse o ministro antes de encerrar a sessão do TST nesta quinta. Denúncias podem ser feitas ao MPT.

Crédito, Reuters
Anda não está claro se o governo Trump irá chancelar a autoproclamação de Flávio Bolsonaro como "líder do Brasil" e sua intenção de "liderar a oposição" a partir dos EUA, conforme o senador disse na carta publicada na quarta-feira.
Ao ser questionado sobre o teor da carta de Flávio, o presidente americano repetiu que não iria se envolver. Hoje, quando um repórter perguntou quem, na sua opinião, era o legítimo vencedor da eleição brasileira, Trump disse mais uma vez que não iria comentar, mas que achava que a eleição havia sido "uma grande vergonha para o povo brasileiro".
Dentro do governo americano, duas alas disputam a atenção de Trump quando o assunto é Brasil, uma mais pragmática, e outra mais ideológica, liderada por Rubio.
"Não duvido nada que já tenha o dedo do Rubio orientando essa movimentação nos bastidores para transformar Flávio em um trunfo de pressão e criar um atrito direto e calculado com o governo brasileiro", diz à BBC News Brasil o professor de relações internacionais Carlos Gustavo Poggio, da universidade Berea College, no Estado do Kentucky.
Mas a especialista em relações bilaterais Bruna Santos, diretora do Brazil Program no think tank Inter-American Dialogue, em Washington, avalia que é "difícil" haver algum reconhecimento efetivo pelo governo Trump sobre Flávio.
"É difícil sustentar internacionalmente uma reivindicação de legitimidade presidencial que não encontra respaldo entre os próprios aliados políticos no país. Seria um erro o Departamento de Estado não fazer essa distinção", observa Santos.Leia aqui a reportagem completa de Alessandra Corrêa, de Washington para a BBC News Brasil
A possibilidade de que auxiliares do presidente Donald Trump teriam providenciado o avião que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família da Argentina aos EUA, na quarta-feira (28/10), apontada pelo jornal The New York Times, não deverá mudar a postura do governo brasileiro em relação ao governo norte-americano sobre o assunto.
A avaliação é de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ouvidos pela BBC News Brasil em caráter reservado. Segundo reportagem publicada pelo The New York Times, o assessor de Trump, Jason Miller, teria fornecido jato privado que saiu de Puerto Iguazu a Miami, levando a família de Flávio aos EUA.
Jason Miller é um dos principais assessores de Trump e é aliado da família Bolsonaro. Segundo auxiliares do presidente Lula, a ideia, por ora, é que Lula não se manifeste publicamente sobre o assunto e nem faça questionamentos às autoridades norte-americanas sobre a ida de Flávio aos EUA, que receberam o senador e sua família oferecendo um visto.
Trump, no início da semana, chegou a afirmar que teria dado autorização para a chegada da família do senador.
Na avaliação de auxiliares de Lula, o governo ainda estaria calibrando de que forma irá responder ao episódio, mas a ideia seria não fazer do acolhimento norte-americano a Flávio um problema na relação já tensionada com o governo Trump.
Na mira da administração petista estariam outras questões consideradas mais prioritárias como as negociações sobre o tarifaço norte-americano a produtos brasileiros imposto pelo governo dos EUA.
O governo também aguarda o resultado das eleições parlamentares de meio de mandato, nesta semana, que pode definir se os republicanos irão ou não perder o comando do Senado e da Câmara dos Deputados norte-americanas. Se os republicanos perderem uma das duas casas, o entendimento do governo Lula é de que Trump ficaria parcialmente fragilizado.
Por outro lado, a avaliação com relação à possível participação do governo argentino, liderado por Javier Milei, é de que a viagem de Flávio passando pelo território do país vizinho deteriorou ainda mais as relações com Buenos Aires.
Até o momento, o governo ainda não se manifestou publicamente sobre a possível ajuda do governo Milei na viagem de Flávio, mas auxiliares do presidente Lula dizem acreditar que o episódio afasta ainda mais a possibilidade de uma normalização com a Argentina.
Atualmente, os dois países estão sem embaixadores atuando regularmente nos dois países devido a desentendimentos recentes entre os dois governos.

Crédito, Getty Images
Após visitar Jair Bolsonaro em Brasília, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, disse que nem o ex-presidente sabia do plano de Flávio de sair do Brasil.
O candidato derrotado na eleição visitou o pai, preso em prisão domiciliar, na segunda-feira pós-eleição. Na terça, ele deixou o Brasil rumo aos EUA.
"Ele veio ver o pai, nem o Bolsonaro sabia que ele ia", declarou Valdemar.
O presidente do PL também disse que "ninguém aprovou a carta" em que Flávio disse ser "líder" do Brasil.
"Queremos tocar o país para frente", afirmou.

Crédito, AFP via Getty Images
Consultamos analistas políticos para quais foram os principais os erros da campanha de Flávio Bolsonaro que levaram à derrota no segundo turno. Isso depois de ele sair na frente durante a primeira volta com 47% dos votos...
Estes são alguns pontos elencados:

Crédito, Reprodução/X
O voo que levou o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) para os EUA foi organizado por um funcionário da Casa Branca, segundo reportagem do jornal americano New York Times (NYT).
Citando como fonte uma pessoa "familiarizada com a operação", o jornal relata que o responsável por organizar a viagem de avião foi Jason Miller, integrante da equipe de comunicação da Casa Branca.
Miller é próximo da família Bolsonaro e conhecido pelas autoridades no Brasil.
Em 2021, ele passou alguns dias em Brasília para promover sua rede social GETTR, voltada para representantes da direita global, e para participar da Conferência da Ação Política Conservadora, organizada por Eduardo Bolsonaro.
Quando deixava o país, Miller foi conduzido à sala da Polícia Federal no Aeroporto de Brasília para ser ouvido no âmbito do inquérito das fake news, sob o comando do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Após voltar aos EUA, ele afirmou que o STF é uma "mistura de Departamento de Justiça com FBI e tudo o mais" e chamou os agentes da Polícia Federal que atuam nos inquéritos do STF de "gestapo", a polícia secreta da Alemanha Nazista.
Ainda segundo o NYT, citando fontes anônimas do governo americano, Flávio e sua família receberam ao chegar nos EUA um status migratório temporário (chamado lá de parole status) concedido após determinações de Trump.
É esperado que Flávio receba posteriormente um green card, oficializando uma residência permanente, num processo rápido parecido ao que ocorreu com seu irmão Eduardo Bolsonaro, que vive no Texas desde 2025 após deixar o Brasil para tentar sanções nos EUA contra autoridades do país.
Em resposta ao jornal, o Departamento de Segurança Interna dos EUA afirmou apenas que Bolsonaro e sua família “foram recebidos e submetidos à inspeção da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), em conformidade com as leis e os procedimentos migratórios aplicáveis. Ao término da inspeção, Bolsonaro e os familiares que o acompanhavam foram liberados”.

Crédito, Isaac Fontana/EPA/Shutterstock
No dia 5 de janeiro de 2027, Lula começa seu quarto mandato presidencial, após uma virada inédita em um pleito eleitoral.
Mas a vitória não elimina os desafios políticos e econômicos que Lula terá pela frente. O presidente precisará negociar com um Congresso de oposição fortalecida para avançar em sua agenda, além de lidar com a pressão por um ajuste nas contas públicas, o custo de vida e o endividamento dos brasileiros, em um cenário de desaceleração econômica previsto para 2027.
Entre as propostas apresentadas por Lula estão medidas para renegociar dívidas, valorizar o salário mínimo, ampliar o acesso à saúde e à educação, combater o crime organizado e fortalecer a atuação internacional do Brasil.
Veja nesta reportagem as principais propostas de Lula, organizadas em oito temas.
A BBC News Brasil identificou que estão circulando no X publicações com milhares de curtidas que usam um relatório sobre dados eleitorais para insinuar que Flávio Bolsonaro estava vencendo às 17h e que Lula virou o resultado nas urnas que fecharam mais tarde.
A comparação, porém, considera o resultado do dia inteiro de cada urna, agrupando as seções pelo horário de encerramento. Uma urna encerrada às 17h05, por exemplo, pode ter recebido quase todos os votos antes das 17h.
A vantagem de um candidato nesse conjunto de seções não mostra quem estava vencendo no país naquele horário.
Em levantamento próprio, a BBC News Brasil analisou os registros de operações das urnas e identificou 33.866 votos para presidente efetivamente registrados após as 17h.
Posteriormente, o TSE informou um total de 34.393 votos nesse período. Mesmo que todos fossem destinados a Lula, seriam insuficientes para reverter a diferença de mais de 4,4 milhões de votos entre os candidatos.

Crédito, Getty Images
Na Argentina, o chefe de gabinete do presidente Javier Milei, Diego Santilli, quebrou o silêncio sobre a passagem de Flávio Bolsonaro pelo país antes de ir aos EUA:
“Entrou e saiu da Argentina porque não havia impedimento da Interpol”, disse Santilli, segundo o jornal argentino Clarín.
“Como informou a Direção de Migrações, ele entrou com a documentação correspondente, em conformidade com as regras, e posteriormente saiu de avião, também nas mesmas condições.”
Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio, a esposa e as duas filhas entraram na Argentina às 22h50 da terça-feira, no horário local, por Puerto Iguazú, do outro lado da fronteira de Foz do Iguaçu.
Às 23h30 do horário local, a família teria embarcado em um voo privado da companhia Baires Fly S.A. com destino a Guayaquil, no Equador, conforme o plano de voo, também segundo o governo argentino. De lá, seguiu para Miami.
O influenciador Paulo Figueiredo, aliado de Flávio Bolsonaro, publicou uma justificativa sobre as diferentes versões da carta do senador divulgada ontem. Foi ele que publicou no X a primeira versão do documento.
Figueiredo explica que o primeiro erro, o brasão antigo em que se lê "Estados Unidos do Brazil", foi inserido pelo ChatGPT. "Mas nós achamos muito engraçado", disse.
O segundo erro também foi atribuído à inteligência artificial: o influenciador afirmou que a ferramenta teria adicionado uma versão anterior em que o senador se apresentava como "presidente eleito".
"Como vocês devem imaginar, uma carta que expressa uma realidade tão complexa passa por várias versões, com a contribuição intelectual de mais de uma pessoa", afirma.
"A versão final fala em 'verdadeiro líder' por duas razões. Primeiro, porque descreve com mais precisão a situação jurídica. Segundo, porque liderança carrega um valor MORAL, que traduz o sentido desejado pelo Flávio."
Apesar das versões distintas, Figueiredo diz que todas expressam que o senador não reconhece o resultado do segundo turno e "continuará lutando para restaurar a democracia no Brasil".
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reconheceu a vitória de Lula, assim como os partidos de oposição, entre eles o próprio PL de Flávio Bolsonaro, e vários líderes internacionais que parabenizaram o petista pelo resultado.
Missões internacionais de observação que acompanharam o segundo turno da eleição avaliaram que a votação e a apuração transcorreram com normalidade e elogiaram a capacidade técnica da Justiça Eleitoral.

Crédito, Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse há pouco que não tomou partido nas eleições brasileiras a pedido do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O americano, porém, voltou a criticar o pleito, chamando-o de "vergonhoso".
"O presidente em exercício me pediu para não tomar partido. Eu não tomei partido. Mas, quando vejo o que aconteceu no Brasil... Bem, o mercado fala por si. (...) O mercado despencou. Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil", declarou Trump.
"Não quero comentar sobre isso agora, mas achei que a eleição foi um enorme constrangimento para o povo brasileiro... Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil."

Crédito, Bloomberg
O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa com Flávio Bolsonaro, postou um vídeo com justificativas para a ida do senador aos EUA.
Gaspar disse que "é fácil criticar" a decisão de Flávio, mas defende que a família Bolsonaro é alvo de perseguição.
"O que eles queriam, Flávio, era te jogar na jaula do crime organizado. E a sua segurança? E a segurança da sua família?", defendeu Gaspar, argumentando que Flávio "vivenciou dias difíceis".