Fachin derruba decisões de ministros sobre PF e retira inquérito das Fake News de Moraes; entenda o mais recente episódio da crise no STF
Presidente do STF marca sessão para terça, dia 15, para decidir 'guerra aberta' entre ministros. Ele manteve Andrei Rodrigues no comando da PF e disse que atos isolados dos colegas configuram 'lesão à ordem pública e à integridade' da Corte.
Com isso, Fachin assumirá o polêmico inquérito — salvo as ações penais já instauradas, que continuarão a cargo de Moraes.
Fachin pediu que, após uma análise da situação da investigação, os autos sejam encaminhados à Polícia Federal e posteriormente à Procuradoria-Geral da República, que deverá decidir pelo arquivamento ou apresentação de denúncias (um primeiro passo para a abertura de um processo judicial).
PT pede a ministros do STF fim do sigilo de investigações sobre o Caso Master, diz colunista
De acordo com Mônica Bergamo, colunista do jornal Folha de S. Paulo, advogados do Partido dos Trabalhadores (PT) pediram aos ministros André Mendonça e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a retirada do sigilo das investigações envolvendo agentes públicos no caso Master. Mendonça e Dino relatam ações sobre o Master na Corte.Segundo a colunista, os advogados do PT argumentaram que "o regime vigente no caso Master já não é de sigilo, mas de publicidade seletiva". Eles criticaram vazamentos "seletivos" relativos ao caso em meio ao período eleitoral.
Mais cedo nesta quarta-feira, o presidente Lula postou em suas redes sociais que é "urgente" a "quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer".
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Caso Master pode ser anulado por causa de crise entre ministros do STF?
A crise sem precedentes vivida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com troca de alegações e pedidos de investigação entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, tem gerado questionamentos sobre uma possível anulação do caso que investiga o Banco Master.
Mendonça se tornou alvo de graves acusações de abusos na condução dos inquéritos que apuram fraudes bilionárias no Banco Master e no INSS.
A partir de um relatório encomendado à Polícia Federal, Alexandre de Moraes diz que André Mendonça teria cometido, "em tese", improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade, com "favorecimento a determinados grupos políticos" na sua atuação.
As acusações são uma reação de Moraes a outro relatório da PF, produzido a pedido de Mendonça, que revelou supostas conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro.
Nesta quarta-feira (9/9), o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a petição 16.662, que está sob responsabilidade de André Mendonça, até nova decisão.
A petição 16.662 é o procedimento no qual André Mendonça tornou públicas conversas suspeitas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro e sugeriu a possível abertura de investigação para apurar a conduta do ministro.
Dois dias depois, em 3/9, Moraes contra-atacou e pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça, acusando o colega de abuso de autoridade e de ter usado informações sigilosas da PF para atingir o STF.
AGU diz que decisão de Fachin 'restaura a ordem pública'
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Em comunicado divulgado na noite desta quarta-feira (9/9), a Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou que recebeu com "satisfação, respeito e esperança" a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
Fachin suspendeu os efeitos da decisão de André Mendonça que havia afastado o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, após pedido da AGU.
Segundo o órgão, a decisão "restaura a ordem pública e administrativa" e reafirma a prerrogativa constitucional do presidente da República de nomear e afastar os ocupantes dos cargos de direção da PF.
A AGU também afirmou que a medida contribui para "restaurar a institucionalidade! no STF e para a harmonia entre os Poderes.
Confira a nota na íntegra:
"A Advocacia-Geral da União (AGU) recebe com satisfação, respeito e esperança a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) ministro Edson Fachin, que acolheu, nesta quarta-feira (17/09), o pedido liminar formulado ontem pela AGU, na Suspensão de Liminar nº 1.946, e suspendeu os efeitos da decisão monocrática proferida no âmbito da PET nº 16.662/DF.
A decisão restaura a ordem pública e administrativa e, sobretudo, reafirma a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover os cargos de direção da Polícia Federal, nos termos do artigo 84, incisos I e II, da Constituição Federal.
Com isso, também são restabelecidas as condições necessárias ao regular funcionamento das atividades da Polícia Federal, instituição essencial à segurança pública e ao Estado Democrático de Direito.
Para além da solução do caso concreto, a decisão do ministro Edson Fachin contribui para restaurar a institucionalidade no âmbito da Suprema Corte e fortalecer a confiança da sociedade no Poder Judiciário.
A medida também milita em favor da harmonia entre os Poderes da República, ao reafirmar e respeitar as competências que a Constituição Federal atribui a cada um deles. Em última análise, contribui para a preservação da paz social e da estabilidade institucional.
A decisão de um ministro reconhecidamente sóbrio e prudente, como Edson Fachin, demonstra ainda o acerto da estratégia processual adotada pela AGU. Ao contrário de narrativas plantadas na imprensa, a Advocacia-Geral da União, desde o primeiro momento, optou pelo diálogo institucional, pela prudência e pelo respeito às prerrogativas constitucionais dos Poderes da República, atuando, como sempre o fez, nos limites das balizas de suas atribuições e em defesa dos interesses da União."
Fachin diz que assume Inquérito das Fake news para 'estabelecer segurança juridica'
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Na decisão em que determina a retirada do inquérito das Fake News da relatoria de Alexandre de Moraes e assume a condução das investigações, Fachin alega que a medida é necessária para "estabelecer segurança jurídica".
Segundo Fachin, a mudança busca estabelecer uma delimitação mais clara das atribuições da Presidência do STF na condução do procedimento.
"A presente medida decorre da necessidade de estabelecer segurança jurídica e adequada delimitação institucional dentro do regime de exercício da atribuição prevista no art. 43 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal por esta Presidência", afirmou.
A medida, porém, não alcança os casos que já tenham resultado na abertura de ações penais, que permanecem como estão.
"Em homenagem à segurança jurídica, à estabilidade dos atos processuais e à confiança legítima na atuação jurisdicional, devem ser preservados os atos regularmente praticados durante o período de vigência da designação", escreveu Fachin.
Ministério da Justiça reafirma autonomia da PF e diz que investigações devem seguir 'sem exceções'
Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou nesta quarta-feira (9/9) que mantém “a mais absoluta confiança nas instituições republicanas” e reafirmou a autonomia da Polícia Federal para conduzir suas investigações.
A manifestação ocorre após decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
A decisão foi suspensa pelo presidente da Corte, Edson Fachin, nesta tarde. Fachin também suspendeu uma decisão anterior de Flavio Dino que havia determinado o retorno dos diretores da PF aos cargos.
Na nota, o Ministério da Justiça afirmou que a corporação continuará cumprindo suas funções institucionais e destacou o “prestígio e a credibilidade” conquistados perante a sociedade.
Segundo a pasta, todas as investigações conduzidas pela Polícia Federal devem prosseguir “com absoluta independência, rigor técnico e estrita observância da lei”, alcançando “todos os fatos e todos os envolvidos, sem exceções”..
Confira a nota na íntegra:
"O Ministério da Justiça e Segurança Pública renova a mais absoluta confiança nas instituições republicanas que prestigiam a Constituição Federal e as leis do nosso país.
A Polícia Federal continuará contando com o elevado prestígio e a credibilidade conquistados perante a sociedade brasileira, bem como cumprindo suas missões institucionais com dedicação e compromisso, por meio do trabalho de todos os seus integrantes, da direção superior aos servidores mais recentemente incorporados aos seus quadros.
Da mesma forma, o Ministério da Justiça e Segurança Pública reafirma que todas as investigações conduzidas pela Polícia Federal deverão prosseguir com absoluta independência, rigor técnico e estrita observância da lei, alcançando todos os fatos e todos os envolvidos, sem exceções.
A preservação da autonomia investigativa da Polícia Federal constitui garantia indispensável ao Estado Democrático de Direito, e nenhuma circunstância poderá comprometer a continuidade, a profundidade ou a integridade das apurações em curso.
Cabe à Polícia Federal investigar, com plena liberdade e responsabilidade, onde quer que os fatos a conduzam, para que a verdade seja integralmente esclarecida e as responsabilidades, quaisquer que sejam, devidamente apuradas."
Os principais pontos da decisão de Fachin
O posicionamento de Fachin ocorre após uma sequência de decisões monocráticas de ministros do STF sobre o afastamento da cúpula da Polícia Federal. Em sua decisão, o presidente da Corte afirmou que cabe à Presidência preservar a integridade do tribunal e a condução dos trabalhos.
"A Presidência tem o dever de zelar pela preservação da integridade da Corte e tem convicção de que o faz e fará", disse Fachin.
"Há especial dever de se assegurar a integridade e adequação da direção dos trabalhos dessa Corte", acrescentou.
Com esse entendimento, o ministro determinou:
Suspensão da decisão de André Mendonça que havia afastado Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.
Suspensão do andamento da Petição 16.662, que envolve o ministro Alexandre de Moraes e está sob relatoria de Mendoneça, até nova decisão.
Suspensão da decisão de Flávio Dino que havia determinado a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos, sob o argumento de que o tema é de responsabilidade da Presidência do STF.
Suspensão de todo e qualquer procedimento que trate de potencial investigação contra integrantes do STF, que deverão ser previamente encaminhados à Presidência da Corte.
Retirada do inquérito das Fake News da relatoria de Alexandre de Moraes, exceto o que já tem ação penal em curso. Fachin assume as investigações.
Fachin suspende procedimento de Mendonça contra Moraes até nova decisão
Na mesma decisão de agora, Edson Fachin determinou a suspensão da petição 16.662, que está sob responsabilidade de André Mendonça, até nova decisão.
A petição 16.662 é o procedimento no qual André Mendonça tornou públicas conversas suspeitas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro e sugeriu a possível abertura de investigação para apurar a conduta do ministro.
Fachin marca sessão do plenário para dia 15
O presidente do STF também convocou sessão plenária extraordinária para a próxima terça-feira (15/9), às 10h, para que os ministros deliberem sobre a grave crise que a Corte atravessa.
O julgamento tratará da petição 16.662, procedimento no qual André Mendonça tornou públicas conversas suspeitas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro e sugeriu a possível abertura de investigação para apurar a conduta do ministro.
Antes, porém, a sessão deve analisar o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o STF considere nulo o procedimento de Mendonça contra Moraes nesta petição.
Para a PGR, Mendonça extrapolou sua atuação como juiz ao "mirar" as investigações contra um alvo determinado. A procuradoria sustenta, ainda, que o ministro teria que ter submetido a questão ao plenário da Corte antes de determinar essa apuração inicial sobre Moraes e Vorcaro.
Fachin também tira Moraes do inquérito das Fake News
Edson Fachin também tirou o inquérito das Fake News de relatoria de Alexandre de Moraes, exceto o que já tem decisão em curso. O restante, ficará nas mãos do próprio presidente da Corte.
Na semana passada, Fachin havia defendido novamente o fim do Inquérito das Fake News, iniciado em 2019.
Fachin suspende decisão de Mendonça que afastou Andrei da PF e decisão de Dino que reintegrou diretor
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu na tarde desta quarta-feira (9/9) a decisão do ministro André Mendonça que havia afastado o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
A decisão se refere a um pedido protocolado pela Advocacia Geral da União (AGU) na noite de ontem. Com isso, tanto Andrei quanto Almada estão mantidos no cargo.
Fachin também suspendeu a decisão do ministro Flávio Dino, que mais cedo havia determinado a reintegração dos diretores à PF.
Ele argumentou que a deliberação é de "competência exclusiva da presidência do STF".
Na decisão, Fachin classificou como grave o cenário de decisões de ministros do STF sendo questionadas por outros integrantes da Corte.
"É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência", escreveu.
"Considero necessária a suspensão das decisões ora analisadas, porquanto, para além de qualquer juízo meritório sobre o afastamento ou não de autoridades, o qual será realizado oportunamente, cumpre obstar quadro de conflitos e sobreposições processuais que, por si só, configuram lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal", acrescentou Fachin.
'Virou várzea' e 'ditadura da toga': a reação dos presidenciáveis
A decisão do ministro Flávio Dino que devolveu Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal aprofundou a crise no Supremo Tribunal Federal e provocou reações de candidatos a presidente.
Nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (PL) disse que o país "virou várzea" e cobrou uma sessão pública imediata. "Ministro Fachin tem que resolver isso", escreveu.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que a decisão representa "o Brasil dos intocáveis", reiterou apoio a Mendonça e mencionou o pedido do Novo para que Andrei seja preso.
Já o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que Dino "virou imperador do Brasil e implodiu a segurança jurídica", antes de chamar o episódio de "Ditadura da Toga".
Novo pede impeachment de Dino e questiona decisão que reconduziu Andrei à PF
O partido Novo anunciou uma ofensiva jurídica contra a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (9/9), o partido afirmou que apresentará um pedido de impeachment contra Dino e uma notícia-crime contra o ministro, sob o argumento de que a decisão “embaraça a investigação envolvendo organização criminosa” e pode caracterizar “abuso de autoridade”.
O Novo também pretende apresentar uma Reclamação Constitucional ao ministro André Mendonça para fazer valer a decisão que havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues. A legenda foi responsável por apresentar o pedido que levou ao afastamento do diretor-geral da PF.
O partido ainda vai pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspensão da decisão de Dino, além de apresentar pedidos de suspeição e impedimento do ministro no caso e um mandado de segurança contra a decisão.
“O que estamos questionando é um imbróglio jurídico sem precedentes: uma decisão de um ministro é contestada por meio de uma petição incidental, apresentada por quem não tinha legitimidade para recorrer, em outro processo, e acaba sendo revertida por outro ministro. E tudo isso sem que a sociedade possa sequer conhecer o conteúdo do pedido que deu origem à decisão”, afirmou Eduardo Ribeiro, presidente do Novo.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) também cobrou uma resposta rápida do presidente do STF diante da sequência de decisões.
“O momento exige que Fachin dê solução rápida para não ficar desmoralizado. A decisão de Flávio Dino passou por cima do pedido de ontem de Fachin para que Mendonça desse explicações em 72 horas. Nós não vamos nos intimidar”, afirmou.
Como está a corrida pela Presidência em meio à crise no STF
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) se acentua a menos de um mês das eleições de 2026, em um cenário de disputa acirrada pela Presidência da República.
Em meio ao embate na Corte, acusações de favorecimento e de motivações políticas envolvendo ministros colocam o STF no centro do debate eleitoral.
No pedido de investigação apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes, André Mendonça é acusado de atuar com motivações políticas e de direcionar investigações para favorecer determinados grupos.
O relatório cita o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), como um possível “alvo estratégico” de Mendonça.
Enquanto isso, Flávio Dino passou a ser alvo de críticas de candidatos de oposição. Flávio Bolsonaro acusou o ministro de favorecer Lula ao determinar a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal.
'Metástase' da crise no STF ameaça instituições brasileiras, dizem especialistas
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A crise sem precendentes no STF, alimentada por sucessivas divulgações de mensagens e relatórios, já ultrapassa as fronteiras do Supremo e "contamina" outras instituições da República, na avaliação de especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
Aury Lopes Jr., doutor em direito processual penal, compara o movimento a uma "metástase", que se esparrama em "diferentes níveis".
"É uma coisa nunca vista. São mencionados [nos relatórios] outros ministros do Supremo, o senador Davi Alcolumbre, o diretor-geral da Polícia Federal, o PGR. A crise já se esparramou", afirma.
Para Marco Antonio Teixeira, professor de Direito da FGV Rio, o envolvimento de diferentes agentes públicos mostra o alcance da crise, que já provoca um processo de "degradação moral" que ameaça as instituições brasileiras.
"O processo de degradação está em curso. É uma degradação sobretudo moral, que está resvalando para uma degradação institucional. As instituições são feitas por esses homens, por essas pessoas. Então, o descrédito individual de cada um está atingindo as instituições", afirma.
A crise no STF ganhou uma nova frente na semana passada após trocas de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e a Daniel Vorcaro terem sido reveladas por um relatório da Polícia Federal.
O conteúdo extraído do celular de Vorcaro veio a público após o ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no STF, retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal, e pedir uma investigação sobre possíveis irregularidades na relação entre Moraes e o banqueiro.
Moraes é ministro do STF desde 2017. Foi indicado pelo então presidente Michel Temer (MDB) para ocupar a vaga deixada pela morte do ministro Teori Zavascki.
Antes de chegar ao Supremo, foi secretário de Justiça e Segurança Pública de São Paulo e secretário municipal de Transportes da capital paulista, além de advogado e professor de Direito.
Nos últimos anos, Moraes ganhou grande protagonismo no STF, especialmente como relator dos processos que resultaram na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus por tentativa de golpe de Estado. Ele também presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2022.
Diante das novas revelações envolvendo o Banco Master, Moraes pode ser investigado? Corre risco de deixar o cargo de ministro do STF?
Neste vídeo, a repórter Camilla Veras Mota explica o que pode acontecer com Moraes e o que fontes ouvidas pela equipe da BBC News Brasil dizem sobre os possíveis caminhos do caso.
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O que os candidatos à Presidência propõem sobre o STF
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A composição, o funcionamento e as atribuições do Supremo Tribunal Federal (STF) estão no centro do debate eleitoral de 2026.
Candidatos à Presidência da República apresentam em seus planos de governo propostas de mudanças na Corte e defenderam alterações no Judiciário em declarações públicas.
Augusto Cury (Avante) propõe uma reforma do STF com a criação de mandatos fixos para os ministros, enquanto Romeu Zema (Novo) quer implementar uma lista tríplice para escolha dos integrantes e idade mínima de 60 anos.
Ronaldo Caiado (PSD), também defende elevar para 60 anos a idade mínima para ocupar uma vaga no STF e propõe quarentena de quatro anos antes que ministros possam voltar a exercer a profissão e de oito anos para que possam ter qualquer pretensão política.
Em declarações públicas, Renan Santos (Missão) defendeu o fim de escritórios de advocacia ligados a parentes e amigos de ministros do STF, decisões monocráticas e a retirada da prerrogativa de a Corte julgar casos envolvendo senadores e deputados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, voltou a falar sobre uma reforma no Judiciário diante da crise no STF e afirmou que a medida seria necessária para fortalecer a confiança da população nas instituições.
Em seu plano de governo, Flávio Bolsonaro (PL) propõe extinguir as competências criminais originárias do STF e limitar as decisões monocráticas dos ministros. Ele também defende uma quarentena de um ano para que ministros de Estado possam ser indicados ao Supremo.
O ministro André Mendonça está no centro da atual crise do Supremo Tribunal Federal (STF) e protagoniza um embate com Alexandre de Moraes, que se agravou nos últimos dias em torno de investigações envolvendo a Polícia Federal.
Mendonça chegou ao STF em dezembro de 2021, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro para substituir o ministro Marco Aurélio Mello, que havia se aposentado.
Pastor presbiteriano, Mendonça foi escolhido após Bolsonaro prometer, desde 2019, indicar ao STF um nome “terrivelmente evangélico”, em meio à pressão de lideranças religiosas. Antes de chegar à Corte, ele havia comandado a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, para onde foi após a saída de Sergio Moro.
Quando foi anunciado como escolhido de Bolsonaro para comandar a AGU, em novembro de 2018, Mendonça foi celebrado como um nome técnico e recebeu elogios inclusive de juristas que integraram o governo Dilma Rousseff, como Luís Adams (ex-AGU) e Valdir Simão (ex-ministro da Controladoria Geral da União.
No entanto, passou a ser alvo de duras críticas de parte da opinião pública por ter assumido uma atuação política bastante alinhada com Bolsonaro, com iniciativas vistas como autoritárias. Por diversas vezes, Mendonça acionou a Polícia Federal (PF) para investigar opositores do presidente com base na Lei de Segurança Nacional, uma legislação criada na Ditadura Militar.
Como advogado-geral da União, ele defendeu, por exemplo, que não fosse permitido a Estados e municípios proibir a realização de cultos religiosos presenciais durante a pandemia, assim como se opôs a criminalização da homofobia. Em ambos os casos, a maioria do STF ficou contra a posição da AGU.
No STF, Mendonça integra a Segunda Turma, ao lado de Luiz Fux, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
Mendonça é relator dos casos que envolvem as investigações sobre o Banco Master e o INSS, que estão no centro da crise atual.