Flávio Bolsonaro é investigado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no caso 'Dark Horse'; Mendonça mantém inquérito sob sigilo

Flávio Bolsonaro.

Crédito, Isabella Finholdt/NurPhoto via Getty Images

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a investigação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por suposta lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes no financiamento do filme Dark Horse junto ao Banco Master.

A determinação de Mendonça está na petição 16369, de 22 de julho, e tornou-se pública com o fim do sigilo de parte do caso Master, determinado nesta quinta-feira (10/9) pelo presidente do Supremo, Edson Fachin. O inquérito referente a Bolsonaro, no entanto, permanece em sigilo.

Flávio nega qualquer irregularidade sobre o financiamento do filme sobre seu pai, e já disse, em sabatina ao Jornal Nacional, que o tema está "mais que esclarecido" e é um "livro fechado, ressignificado e na prateleira".

Nesta sexta, em uma agenda de campanha no Amazonas, o candidato do PL disse estar com "muita tranquilidade" em relação à quebra do sigilo no inquérito e afirmou que "transparência total nesse assunto foi a melhor coisa que poderia acontecer".

"Estamos numa eleição presidencial e não é novidade para ninguém que vão tentar fazer de tudo para desestabilizar e inventar coisas onde não tem", afirmou.

"Sempre disse que a relação com o filme foi privada, um patrocínio privado em relação ao filme do presidente Bolsonaro. É muito positivo para confirmar o que sempre falei."

Ele também defendeu a atuação de Mendonça. "Eu queria muito que todos do Supremo fossem iguais ao Mendonça, não pesassem para lado nenhum. Investiga tudo, todo mundo, com transparência; mostra pra imprensa, mostra pro povo. Vamos ver quem é que está certo", afirmou o senador.

Nesta quinta, a Polícia Federal deflagrou uma operação relacionada ao longa, por decisão do ministro Flávio Dino, em outra investigação sobre o caso, que apura possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

Os alvos foram o deputado estadual Mário Frias, roteirista e produtor executivo do filme, e Karina Ferreira da Gama, dona de um instituto ligado a projetos sociais que teria recebido emendas de Frias e também da GoUp Entertainment, produtora responsável pelo longa-metragem.

O gabinete de André Mendonça foi procurado pela reportagem para comentar a manutenção do sigilo da investigação sobre Flávio Bolsonaro, mas não se manifestou até o momento.

Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio teria pedido a Vorcaro US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões, para financiar a produção do filme. O banqueiro, que está preso desde março, é suspeito de fraudar R$ 12 bilhões do sistema financeiro.

Em agosto, Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, fechou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi homologado pelo ministro André Mendonça, relator da investigação do Caso Master.

Mineiro é dono da Entre Investimentos e Participações e apontado como principal operador financeiro de Vorcaro.